• INSIDE-OUT
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    120×20x20cm

    É apresentado um conjunto de esculturas com dimensões variáveis revestidas a espelho.
    Nestas obras procuro aprofundar reflexões sobre a condição humana, nomeadamente, sobre a memória e a identidade.     
    A superfície exterior das esculturas reflecte a imagem do observador, parcela de identidade, que depois se confronta com o interior sufocante, claustrofóbico, caótico, (que dá prioridade ao emocional) prolongado até ao infinito através de um sistema de espelhos paralelo. 
    De formas rígidas, predefinidas na forma, não intervencionadas, parto para interiores orgânicos, que crescem envolvendo-nos. Da utilização de contrários, dentro/fora, rígido/orgânico, pré-fabricado/construído, vazio/preenchido, espelhado/colorido, propulsiono a vertigem da emoção desencadeada pelos processos mnésicos individuais e únicos, que se perdem com o desaparecimento do seu depositário. 
    A intensidade emocional destas esculturas remete-nos para o interior de nós próprios, testemunhando a nossa própria existência. São metáforas da nossa interioridade. Cada objecto condensa a possibilidade de múltiplas associações nos confins das memórias evocadas no observador. 
    Espaços muitas vezes não partilhados, escondidos, auto censurados.  
    Das múltiplas formas coloridas, orgânicas, internas, destaca-se um sabor de infância. Procuro recuperar traços imperceptíveis de memórias fugitivas. Procuro captar instantes fugazes.
    Interessa-me o impalpável, o subtil, o volátil, procuro dar voz a silêncios internos. Procuro oferecer emoções, sensações, reencontros.
    Os objectos escolhidos, representam a passagem do tempo e a transitoriedade da memória. 
    Transmutam-se em esculturas/ objectos que são metáfora de presenças, e simultaneamente de ausências, ensaios de memória e de saudade, com pele de espelho.
    Associações privadas desencadeiam turbulências emocionais no observador, cujo voyerismo se estimula.
    Trata-se de uma via para entrar nos processos psíquicos internos, através da auto-estrada das emoções. Isto pressupõe uma possibilidade de identificação dos observadores, num processo livre de associação e descodificação individual.
    A fragmentação poderá assumir assim um simbolismo psicodinâmico no processo de trabalho. Representa simbolicamente a fragmentação da memória, mas é também uma tentativa de mais intimamente se poder elaborar uma nova síntese. Da acumulação desmesurada surge uma nova existência, carregada de carga emocional.
    A pele exterior destas esculturas, ensaios de memória - INSIDE OUT, pouco ou nada revela das confrontações identitárias com o passado, que se constituíram em arqueologia de memórias. As sensações poderão ser de estar protegido ou desprotegido.



    Date : 2004-01-01

    Category : Mixed Technique

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